
Com os votos dos Designers Justiceiros para que 2010 seja ainda melhor!!
Fontes: Trajan e Zapfino
O ano chegando ao fim e eis que me locomovendo no ônibus me deparo com um certo bus-door de caráter extremamente grosseirio. Quando vi, fiquei pensando quem colocaria uma imagem tão fálica num anúncio, mas depois percebi que realmente não havia ambiguidade nenhuma, era mesmo um anúncio de sex shop.
Escandalizado com a falta de sutileza da mensagem, não poderia deixar de compartilhá-la com nossos colegas e leitores. Ficam algumas perguntas: será que não havia nada menos explicíto para anunciar? Será que só dá para anunciar produtos de sex shop apenas com a simulação de uma genitália? Porque no Brasil bunda vende tudo, exceto papel higiênico e supositório (apud Guix)?
Aqui está, para vosso julgamento.
\ Parabéns então aos designers brasileiros (não sei se dá para parabenizar o Design nacional). E também aos cineastas brasileiros e aos bravos defensores das ciências e da cultura, tão aviltadas nesse país. Sim, parabéns a todos, já que nosso querido ex-presidente, tão letrado e instruído, não conseguiu pensar em nenhuma outra data que estivesse vaga e tivesse relevância para a comemoração. Mas tudo bem, é uma bela homenagem a um importante representante da áreaNo dia 19 de outubro de 1998, o então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, assinou um decreto instituindo o dia 5 de novembro como o Dia Nacional do Design, que começou a vigorar a partir da data de sua publicação no Diário Oficial, o dia 20 de outubro do mesmo ano.Esta data foi instituída em homenagem a um defensor do design no Brasil, o advogado, artista plástico, designer e planejador brasileiro Aloísio Magalhães, nascido em 5 de novembro de 1927.Sendo um dos designers mais importantes de sua época, Aloísio desenvolveu projetos conhecidos nacional e internacionalmente, como a identidade visual da Petrobras (alterada há alguns anos), o desenho das notas do cruzeiro novo e o símbolo do IV Centenário do Rio de Janeiro. Participou do grupo de vanguarda "O Gráfico Amador" em Recife, na década de 60. Na mesma época, ganhou os principais concursos brasileiros de desenho de símbolos. Em 1962, participou da criação da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI) e, em 1980, assumiu a Secretaria de Cultura do MEC.Alóisio Magalhães sempre defendeu conceitos como a "brasilidade" do design e a recuperação da memória artística e cultural brasileira e foi sem dúvida, uma das figuras mais importantes da história do design brasileiro. Entre seus trabalhos, o design das notas do cruzeiro novo é um dos mais conhecidos. Aloísio acabou com o conceito de "pé" e "cabeça" do dinheiro, criando uma moeda individualizada e reconhecida como inovadora mundialmente e influenciando todo modo de produção monetário no Brasil desde então.O design brasileiro e a indústria nacional têm muito a agradecer ao empenho de Aloísio Magalhães, pois foi por esforço dele que hoje podemos identificar um avanço no entendimento do significado do design pelo empresariado. Este entendimento vem se reafirmando pelos resultados vivos obtidos pela indústria nacional através da efetiva inserção do design nos processos produtivos como ferramenta fundamental no desenvolvimento de seus produtos e, pela sensível percepção dos resultados traduzidos na rentabilidade da produção, na racionalização de processos, na melhor adequadação de materiais e na preocupação com o impacto dos produtos no meio ambiente.A mistura de todos estes fatores remete a uma produção caracterizada pelos diferenciais necessários para o aprimoramento do padrão de qualidade do produto nacional e para o bom desempenho na sua comercialização nos mercados interno e externo. A busca pela "brasilidade" nos produtos como identidade começou com a visão futurista do designer Aloísio Magalhães e vem se reafirmando a cada dia através do esforço dos profissionais de design e do bom entendimento da indústria.Confira, abaixo, o decreto que instituiu o Dia Nacional do Design:
DECRETO DE 19 DE OUTUBRO DE 1998 Institui o "Dia Nacional do Design", e dá outras providências.O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso II, da Constituição, DECRETA:Art 1º Fica instituído o "Dia Nacional do Design ", que será comemorado no dia cinco de novembro de cada ano.Art 2º Caberá ao Comitê Executivo do Programa Brasileiro do Design – PBD a coordenação das atividades relacionadas à comemoração do "Dia Nacional do Design".Art 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.Brasília, 19 de outubro de 1998; 177º da Independência e 110º da República.
É desesperador quando um cliente resolve ser criativo a partir de um trabalho de um designer. O pior ainda é quando o designer ou escritório em questão não é nem consultado. Pois é, na última semana fiquei sabendo de um caso muito curioso ligado a criação da marca do Fashion Rio.
O caso foi que o escritório de design de moda/web/produto/gráfico/etc. OESTÚDIO (é isso mesmo),desenvolveu a marca da última edição do evento. O Fashion Rio, que vem se consolidando no Rio de Janeiro passou por uma série de mudanças e portanto justificou a mudança no visual. Porém, segundo o pessoal d’OESTUDIO, a polêmica marca (muitos desgostam, preferem a versão anterior) foi pensada apenas para o uso naquela edição do evento, mas a empresa Inbrands, detentora da marca e de outras também importantes no setor, pretendia utilizar o material e torná-la a marca oficial, apesar de não ter sido projetada, estudada e testada para tal.
Marca do Fashion Rio desenhada pelo OESTÚDIO
Tá, até aí morreu Neves, pois não chega a ser incomum que isso aconteça. O ponto desta história é que de repente surgiu uma versão da marca “inspirada” naquela desenvolvida pelo escritório para outros eventos associados ao Fashion Rio. O furo se deu pelo fato de que quem atualiza o site da Inbrands é o próprio OESTUDIO. Conclusão: está armada a confusão, pois o escritório não foi consultado e seu trabalho estava sendo indevidamente apropriado.
Estas são informações de bastidores, mas precisam ser anunciadas para que todo mundo possa entender melhor as ciladas em que podemos cair pela falta de um contrato claro. A questão aparentemente ainda não foi resolvida e o escritório deverá buscar alguma conciliação.
Porém é preciso que os designers e clientes saibam e tenham muito claro quais os serviços que estão sendo contratados e o quais os direitos e obrigações de cada um. Um sistema de identidade visual, assunto recorrente aqui no blog, exige um tempo de estudo detalhado das aplicações, para que sejam identificados os possíveis problemas antes da marca vir a público. Enquanto as aplicações estiverem sob controle dos designers tudo bem, pois eles têm formação para resolver possíveis problemas visuais, mas uma marca institucional passa a ser usada pela empresa no dia-dia e deve ter sido muito bem estudada e possuir um manual claro que especifica o que pode e o que não pode, para que um leigo seja capaz de utilizá-la.
"Releitura" da marca do Fashion Rio em uma das sub-marcas, feita sem a participação d'OESTÚDIO
Isso tudo sem considerar os direitos de propriedade intelectual, pois embora a empresa possa deter os direitos de uso e aplicação da marca, os direitos autorais sobre a criação artística [fazer o que, se é assim que enquadram esta parte na lei] da marca são inalienáveis de seus criadores e, portanto, passíveis de disputa judicial uma vez que considerado o plágio ou tentativa de descaracterização da marca.
The Enchanted Drawing (1900);
O grande roubo do trem (The Great Train Robbery, 1903);
Os dez mandamentos (The Ten Commandments, sil., 1923);
Sunrise (1927);
King Kong (1933);
O mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939);
O ladrão de Bagdá (The Thief of Bagdad, 1940);
20 mil léguas submarinas (20,000 Leagues Under the Sea, 1954);
O planeta proibido (Forbidden Planet, 1956);
Jasão e os Argonautas (Jason and the Argonauts, 1963);
Mary Poppins (1964);
Guerra nas Estrelas (Star Wars, 1977);
Tron (1982);
De volta para o futuro (Back to the Future, 1985);
Uma cilada para Roger Rabbit (Who Framed Roger Rabbit?, 1988);
O segredo do abismo (The Abyss, 1989);
O Exterminador do futuro 2: o julgamento final (Terminator 2: Judgement Day, 1991);
O jovem Indiana Jones (The Young Indiana Jones Chronicles, piloto, filme para TV, 1992);
Parque dos dinossauros (Jurassic Park, 1993);
Homem-aranha (Spider-Man, 2004);
King Kong (2005);
Piratas do caribe 2: o baú da morte (Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest, 2006);
Piratas do caribe 3: no fim do mundo (Pirates of the Caribbean: At World's End, 2007);
A bússola de ouro (The Golden Compass, 2007);
As crônicas de Spiderwick (The Spiderwick Chronicles, 2008);
O curiosos caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008).
Já que os últimos assuntos têm sido a produção (mal-remunerada e escravista) de marcas, retomaremos aqui um belo exemplar do que a pressa e a falta de profissionalismo podem fazer com uma marca.
O design de uma marca (e nunca "logomarca"), que pode ser compreendida como a associação de um símbolo gráfico com um logotipo, deve estar comprometido com um a criação de um SIV, Sistema de Identidade Visual.
Por quê?
Porque não basta criar uma assinatura bonitinha para um produto, empresa ou serviço. Design sério se faz com planejamento, prevendo as aplicações e variações da marca em virtude da construção da imagem do produto, empresa ou serviço.
Além disso, a marca deve apresentar de uma forma singular um produto, empresa ou serviço para que seja capaz de distingui-lo de seus concorrentes e/ou similares. Para isso deve ser sintética e econômica, de maneira a realçar os elementos visuais e torná-los mais facilmente reconhecíveis. Nesse sentido, a redundância é extremamente desaconcelhada.
Bom, no exemplo abaixo (enviado por nossa fiel leitora, Kath, da Casa 101) temos um típico caso de redundância, graças a uma solução visual infeliz, pois ao tentar brincar com as letras, a leitura do nome da empresa se perdeu. Como não é possível entender o que está escrito, há uma espécie de legenda, que reforça o nome da empresa abaixo do sinal gráfico. À esta altura do campeonato, a objetividade da mensagem visual já foi para o espaço.
Quanto ao princípio da economia, é possível observar que foi negligenciado: temos diversas tipografias e cores diferentes dentro daquilo que constituiria a marca. Tudo isso compromete outro princípio básico de uma marca: a legibilidade. Legibilidade é a capacidade de leitura e reconhecimento das informações, podendo estar ligada tanto ao texto e sua tipografia, quanto à própria imagem e à capacidade de compreendê-la.
Se brincadeira é coisa séria, legibilidade e design também são.
Exposição imperdível, no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro.
De 23 de junho a 23 de agosto
Entrada Franca
De terça a domingo, das 9h às 21h
1º andar do CCBBA exposição Virada Russa foca sua atenção na produção artística criada na Rússia desde o começo do século XX até a década de 1930, importante não apenas para a cultura russa, mas para toda a arte internacional daquele período.
O conjunto de obras selecionadas inclui a produção de importantes artistas do período, como Kandinsky, Maliévitch, Chagall, Rodchenko, Tátlin, Goncharova, entre outros. Ao todo, são 123 obras, todas pertencentes ao acervo do Museu Estatal de São Petersburgo. A mostra tem curadoria de Yevgenia Petrova, Joseph Kiblitsky, Rodolfo de Athaydee Ania Rodríguez Alonso.
Alexander Rodchenko - Círculo Branco