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21.2.10

"Ao menos não utilizaram a mesma foto..."

\ O comentário acima foi feito ontem pela leitora Stephanie Romano, após ter sido chamada atenção para as revistas Veja e Época publicadas ontem, expostas próximas uma da outra em um estande de revistas.

"— Huuummm... você aí do lado não me é estranha..."

Falta de notícias? Falta de originalidade? Falta de prazo? Economia na policromia? Torcida velada pelo Vasco da Gama, em véspera de final? (ou pelo Botafogo?) Acalento à torcida rubro-negra?

Procurei os tradicionais comentários da equipe criativa da Época sobre o elaborado desenvolvimento da capa da semana, mas provavelmente não havia muito o que se dizer a respeito, então todos os blogueiros de lá devem ter sido liberados para assistir ao desfile das campeãs no Sambódromo. Como esse tipo de coisa já deixou de ser novidade, melhor mesmo é discutir a coincidência de capas dos livros do filho da...

20.1.10

Vamos dar as mãos pelo Haiti...

\ Terrível o desastre que se abateu sobre o o Haiti no último dia 12 de janeiro. Para aqueles que estavam fora do planeta ou perdidos em alguma selva equatoriana e não acompanharam as notícias na última semana, o Haiti – talvez um dos países mais miseráveis fora do continente africano – foi vítima de um terremoto que arrasou com a capital Porto Príncipe e causou centenas de milhares de mortes, além de uma soma igualmente alta de feridos.

Terrível também é o despreparo que a imprensa (trato, em especial, da brasileira) tem demonstrado na cobertura da tragédia e dos esforços no tratamento dos feridos e na busca por sobreviventes. Na virada dos anos 10 (2010), a sensação que se tem é a que jornalistas se tornaram gerenciadores de e-mail: simplesmente pegam a notícia já pronta de outro lugar (normalmente um veículo de imprensa estrangeiro) e encaminham em sua própria mídia. Basta esperar que uma boa alma faça o trabalho investigativo ou juntar pílulas desconexas de informação catadas no Google e publicar do seu jeito. E o telefone sem fio vai seguindo...

Mas desconfio que a falta de pesquisa e de investimento em originalidade e conceito não se resume apenas aos jornalistas, mas a toda a cadeia editorial de uma forma geral. Ontem, ao passar por uma banca de revistas, me deparei com uma situação curiosa, que hoje descobri já ter se tornado burburinho na lista Design Gráfico e em blogs pela internet. O amigo jornaleiro dispôs lado a lado as revistas semanais Época e Veja, incentivando a confusão entre seus clientes. Observe abaixo:


Ambas as revistas, lançadas no último final de semana, utilizaram a mesma fotografia (obviamente comprada de agências de notícias internacionais) e publicaram praticamente a mesma capa! Santa originalidade, Bátima!

Não entro aqui nem no mérito do gosto duvidoso da imagem chocante da mão de uma vítima pendendo entre ferragens e destroços. Mas segundo publicou o Portal Imprensa na última segunda-feira (18), a mesma fotografia já havia sido utilizada em matéria do periódico canadense Le Journal de Montreal no último dia 14 e no londrino The Times, ilustrando a matéria de capa. Vale à pena ler a notinha completa no Portal Imprensa (OK, também estou reblogando techos de notícias de vários lugares aqui, mas eu não sou jornalista...).

Mais uma curiosidade: no dia 15 de janeiro, o blog Faz Caber – mantido pela equipe de direção de arte revista Época – seguiu seu ritual semanal e publicou as opções de layout de capa para a última edição, com o seguinte texto:



sex, 15/01/10
por Equipe Faz Caber |
Tema: terremoto no Haiti
Pra fazer uma capa de uma cobertura jornalística de uma tragédia grande como a que ocorreu no Haiti, é necessário mergulhar com profundidade nas pesquisas de imagens. Ficar ligado 24hs na internet, TV e jornais. O olhar tem que estar treinado para cortar, ver detalhes e imaginar como aquela foto pode encaixar na capa. Das opções que estão aqui, umas são emocionantes e outras mais chocantes. Vou colocar em ordem de criação. Conforme foram surgindo imagens novas, capas novas foram criadas.

\ Bonito, não? Mas a postagem acima passou a soar extremamente irônica quando a Veja apareceu nas bancas (afinal, tanto treinamento à Sr. Miyagi, e o resultado final foi o mesmo!). Obviamente, os comentários a respeito foram tantos que, passado o final de semana, a equipe de arte se "justificou" no próprio blog:

Equipe Faz Caber:
18 janeiro, 2010 as 2:42 pm

Caros leitores
Se alguém quizer [sic!!!] fazer alguma pergunta específica sobre as capas fiquem à vontade. Algumas curiosidades: a TIME e NEWSWEEK em 60 anos de publicação repetiram 3 vezez a mesma imagem da capa. A Época tem 10 anos e esta foi as primeira vez que aconteceu da mesma foto ser publicada na capa da Veja.
Daria para comprar a foto com exclusividade? Em alguns casos sim. Por exemplo: na nossa capa do Michael Jackson pagamos para ter a foto com exclusividade, mas era uma foto antiga, não era a foto dele sendo levado para o hospital (como todos publicaram na época). No caso de agências de notícia acho um pouco mais difícil, as fotos são distribuídas simultaneamente para o mundo inteiro. Todos da imprensa mundial têm acesso, mas exclusividade neste caso não.
A gente fica na torcida para que aquela foto da capa que foi escolhida mais ninguém ache. Até sexta nenhum jornal brasileiro tinha publicado aquela foto da mão. Nem sabíamos que um jornal de Montreal tinha publicado.
MM

\ Enfim, parando para analisar, ao menos a capa da Época é mais limpa, agradável. A poluição visual tradicional da Veja fez ainda mais uma vítima para aqueles que levam o Design um pouco mais a sério: a Dra. Zilda Arns! A brilhante idealizadora da Pastoral da Criança ministrava uma palestra no Haiti quando foi vítima do terremoto do dia 12. Na capa do periódico da ed. Abril, Arns aparece sorridente no rodapé da folha, dando um até loguinho para seus fãs, quase que tentado alcançar a mão negra que pende sem vida – no melhor estilo "vamos todos dar as mãos" –, como que para tentar subir para o meio da página. Para aqueles que acreditam que não há como piorar uma besteira feita, taí a prova!

14.11.09

O ovo ou a galinha?

Noticiando a situação favorável brasileira para investimentos e oportunidades de emprego, eis que duas revistas apresentam suas capas na mesma semana.



Apreciem e julguem!

30.7.07

Sobre PAN, logomarcas e lombadas: uma questão cultural?

Atendendo à solicitação de nossa querida Kath , e contrariando a resolução do Beluga em não se pronunciar sobre a marca do PAN, pelo fato dos DJ's não aprovarem, resolvi comentar aqui mais um escândalo ligado a marca.
Terminado os Jogos Panamericanos (e eventos esportivos sempre são notícia: veja Londres 2012, o Corredor que vende bikinis) não poderíamos concluir o evento sem garantir uma medalha de ouro para o quesito "logomarcas" (arrrgh).
Como sabemos, ou pelo menos é o que deveríamos aprender, os SIV's (Sistema de Identidade Visual) são planejado por designers para garantir unidade, reconhecimento e identificação da marca. Para tanto, é necessário que se estabeleçam critérios de aplicação da marca, considerando diversos suportes possíveis com o objetivo de que a empresa, instituição ou evento não sejam descaracterizados.
Como já comentamos, o PAN vem esbanjando originalidade (veja os Malvadinhos no Pan e os Pássaros de Matisse) e agora o Kibe Loco (publicado tbm no blog da Kath) apresenta um fato que garante o lugar mais alto do pódio ao PAN pelo conjunto.
Sem querer apontar dedos, ou mesmo denunciar, resolvi então elaborar uma possível hipótese para explicar como um erro tão grotesco pudesse acontecer.
Minha explicação é simples:
Assim como muitos outros serviços do PAN, também a criação e aplicação das marcas f devem ter sido terceirizadas por empresas estrangeiras. Contudo, é provável que a criação ficasse a cargo de uma empresa européia, enquanto a aplicação ficasse a cargo de uma empresa estadunidense.
COMO?
Elementar meu caro Watson: como os designers de livro bem sabem, as lombadas americanas diferem das lombadas européias.
O sentido de leitura europeu favorece o livro na estante, enquanto o modelo americano favorece o livro apoiado sobre a mesa com a capa para voltada para cima.

A única questão é:
será que vão apoiar o púlpito da cerimônia sobre uma mesa com a capa para cima?

12.1.07

Para começar, um belo prato de entrada

Caros amigos, descendentes diretos da linhagem de Walter Gropius, Peter Beherens & Cia.
Na qualidade de assinante do JB, deparei-me com essa inusitada peça que vos apresento abaixo.
O esmero comunicacional de tal peça me comoveu tanto a tal ponto que não pude deixar de compartilhá-la convosco, nobres irmãos de nossa ilustre confraria.
A peça que me refiro é o suplemento de TV do Jornal do Brasil, publicado aos 3 de dezembro de 2006 e encontra-se disponível em "fac-símile digital" (se é que isso existe!!) no endereço em http://ee.jornaldobrasil.com.br/reader/default.asp?ed=416

Observem com cuidado a peça, pois sua complexidade demanda uma análise que escape da superficialidade e adentre os obscuros terrenos não apenas do Design, como da Semiótica, análise comunicacional e até psicologia.
Embora a tarefa seja árdua, tentarei analisar alguns aspectos da peça, no entanto peço que me auxiliem e contribuam para a concretização de tão difícil empresa.

Primeiramente proponho uma análise comunicacional.
Questionem-se sobre qual é reportagem principal da revista? Qual a intenção a ser explorada? Qual o nível de dramaticidade que deve ser empregado? Como podemos ver, todas estas perguntas foram colocadas ao nosso capista que buscou o máximo de sua criatividade para exprimir com uma boa imagem todos os sentidos necessários para atingir objetiva e subjetivamente o nosso leitor.
Vejamos: o tema da reportagem é a maneira como Manoel Carlos, diga-se de passagem um brilhante dramaturgo, utiliza-se da estratégia de entregar os capítulos nas vésperas da filmagem para não apenas criar suspense, mas também se referenciar nas resposta do público à receptividade da novela.
Portanto, o nosso designer se viu na necessidade estabelecer uma mensagem visual que pudesse remeter AUTOMATICAMENTE à esta noção de frescor, de velocidade, de rapidez com a qual os capítulos chegam a mão dos atores. Obviamente, como todo bom designer, nosso artista deve ter se empenhado na criação de diversas alternativas, das mais a menos óbvias, mas o conceito que resolveu adotar não poderia se apresentar como melhor metáfora para esta situação do que... bem para aqueles que ainda não perceberam... trata-se de um pão quentinho saindo do forno.
Neste momento aconselho que retornem a imagem, e observem a clareza das informações, a maneira como o forno se faz presente na imagem e como é sagazmente utilizado, ao posicionar a marca da revista "Ponto TV" (que também merece uma análise a parte) sobre a lâmpada do forno.
O desfoque da imagem não apenas garante às imagens do primeiro plano a devida clareza, como também nos causa uma sensação de profundidade, que mesclado ao uso das cores nos cria a sensação de um ambiente profundo e quente, precisamente o que um forno é.
Agora o toque de midas fica por conta do tratamento conferido ao pão. Na dúvida de que sua metáfora não ficasse bem compreendida, nosso brilhante designer não hesitou e reforçou a mensagem de que os capítulos de Manoel Carlos são como pães, ao colocar o inédito efeito da sobreposição, mesclando texto e pão em uma singela, porém concisa, imagem. Sugiro que retornem a imagem novamente e observem como esta composição magistral entre pão e capítulo se apresenta. Vejam como ao utilizar o bom senso e o uso preciso das ferramentas de edição de imagem nosso designer conseguiu com uma imagem deixar claro tanto a imagem do pão, quanto a imagem do capítulo, para que não houvesse a menor dúvida acerca do conteúdo da imagem. A partir desta imagem, o título torna-se praticamente desnecessário, mas que por precaução não foi facilmente descartado por nosso cauteloso designer, apresentando também toda a maestria do redator ao propor "salta um capítulo fresquinho".
Para utilizar os termos do Design, vamos falar em Gestalt, ou seja, a compreensão do todo. Por este viés gostaria de chamar a atenção para maneira como a clareza da imagem do pão (fundido a o capítulo) serve para a apreensão do todo, facilitando o reconhecimento do forno e sua relação com o título de chamada ("Salta um capítulo fresquinho").
Diante de tal precisão comunicacional, facilitada por meio da construção de uma imagem clara e objetiva, mas que abre espaço às interpretações subjetivas dos leitores, reforço meu desejo de indicar esta peça como um exemplar digno de recordação para as presentes e futuras gerações.
Por enquanto me despeço, com o intuito de retornar para uma investigação ainda mais minuciosa sobre os elementos pertinentes ao Design da peça, como a utilização dos tipos e a composição da estrutura.

Saudações