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29.6.09

E num famoso site de noticias...

Ha algum tempo falamos da questão da relação foto/notícia e a diagramação dos jornais.

Não é que hoje, no portal de um jornal de grande circulação, nos deparamos com tal questão novamente? (oh! estou pasmo).

A Proposta é simples: pegaram uma imagem relacionada a um grande acontecimento da semana. (fato esse que gerou a retratação do post abaixo) , colocaram-na representando uma das várias noticias relacionadas a esse acontecimento e usaram uma cor diferenciada para ligar a notícia a imagem.

Só que o conteúdo da manchete principal junto com a imagem acaba por gerar um certo estranhamento.

Bem... até acredito que seja de propósito... mas mesmo assim não considero de muito bom gosto

8.2.07

Até Tú Senhor?

Hoje de manhã, após um bom café e um banho, num momento de descanso antes de ir ao trabalho, deparei-me com esta escandalosa primeira Página do Jornal do Brasil. Prestem atenção meus caros visitantes deste amado blog, na principal manchete deste periódico que alarma a população com o fato de oito milhões de pessoas terem recebido propostas de compras de voto na última eleição.

Um crime deveras hediondo. Mas o interessante foi o diagramador que, posiciona logo ao lado da nota que vem da machete principal uma foto do Cristo Redentor que está concorrendo a uma das 7 novas maravilhas do mundo. Ora, mais uma vez a boa e velha gestalt trasnforma os 3 elementos (manchete, texto e foto) num único grupo na malha gráfica, e o leitor que passa desapercebido não nota que a Foto está se referindo ao outro fato. Com isso, chegamos a conclusão que Cristo (Sim! Cristo Redentor, esta belíssima estátua de 38 metros que faz parte da paisagem cotidiana da cidade maravilhosa) está comprando votos para ser uma das séte novas maravilhas do mundo.

Minhas congratulações ao conhecido Jornal que pela Segunda vez é assunto de um post no blog desta confraria.

12.1.07

Para começar, um belo prato de entrada

Caros amigos, descendentes diretos da linhagem de Walter Gropius, Peter Beherens & Cia.
Na qualidade de assinante do JB, deparei-me com essa inusitada peça que vos apresento abaixo.
O esmero comunicacional de tal peça me comoveu tanto a tal ponto que não pude deixar de compartilhá-la convosco, nobres irmãos de nossa ilustre confraria.
A peça que me refiro é o suplemento de TV do Jornal do Brasil, publicado aos 3 de dezembro de 2006 e encontra-se disponível em "fac-símile digital" (se é que isso existe!!) no endereço em http://ee.jornaldobrasil.com.br/reader/default.asp?ed=416

Observem com cuidado a peça, pois sua complexidade demanda uma análise que escape da superficialidade e adentre os obscuros terrenos não apenas do Design, como da Semiótica, análise comunicacional e até psicologia.
Embora a tarefa seja árdua, tentarei analisar alguns aspectos da peça, no entanto peço que me auxiliem e contribuam para a concretização de tão difícil empresa.

Primeiramente proponho uma análise comunicacional.
Questionem-se sobre qual é reportagem principal da revista? Qual a intenção a ser explorada? Qual o nível de dramaticidade que deve ser empregado? Como podemos ver, todas estas perguntas foram colocadas ao nosso capista que buscou o máximo de sua criatividade para exprimir com uma boa imagem todos os sentidos necessários para atingir objetiva e subjetivamente o nosso leitor.
Vejamos: o tema da reportagem é a maneira como Manoel Carlos, diga-se de passagem um brilhante dramaturgo, utiliza-se da estratégia de entregar os capítulos nas vésperas da filmagem para não apenas criar suspense, mas também se referenciar nas resposta do público à receptividade da novela.
Portanto, o nosso designer se viu na necessidade estabelecer uma mensagem visual que pudesse remeter AUTOMATICAMENTE à esta noção de frescor, de velocidade, de rapidez com a qual os capítulos chegam a mão dos atores. Obviamente, como todo bom designer, nosso artista deve ter se empenhado na criação de diversas alternativas, das mais a menos óbvias, mas o conceito que resolveu adotar não poderia se apresentar como melhor metáfora para esta situação do que... bem para aqueles que ainda não perceberam... trata-se de um pão quentinho saindo do forno.
Neste momento aconselho que retornem a imagem, e observem a clareza das informações, a maneira como o forno se faz presente na imagem e como é sagazmente utilizado, ao posicionar a marca da revista "Ponto TV" (que também merece uma análise a parte) sobre a lâmpada do forno.
O desfoque da imagem não apenas garante às imagens do primeiro plano a devida clareza, como também nos causa uma sensação de profundidade, que mesclado ao uso das cores nos cria a sensação de um ambiente profundo e quente, precisamente o que um forno é.
Agora o toque de midas fica por conta do tratamento conferido ao pão. Na dúvida de que sua metáfora não ficasse bem compreendida, nosso brilhante designer não hesitou e reforçou a mensagem de que os capítulos de Manoel Carlos são como pães, ao colocar o inédito efeito da sobreposição, mesclando texto e pão em uma singela, porém concisa, imagem. Sugiro que retornem a imagem novamente e observem como esta composição magistral entre pão e capítulo se apresenta. Vejam como ao utilizar o bom senso e o uso preciso das ferramentas de edição de imagem nosso designer conseguiu com uma imagem deixar claro tanto a imagem do pão, quanto a imagem do capítulo, para que não houvesse a menor dúvida acerca do conteúdo da imagem. A partir desta imagem, o título torna-se praticamente desnecessário, mas que por precaução não foi facilmente descartado por nosso cauteloso designer, apresentando também toda a maestria do redator ao propor "salta um capítulo fresquinho".
Para utilizar os termos do Design, vamos falar em Gestalt, ou seja, a compreensão do todo. Por este viés gostaria de chamar a atenção para maneira como a clareza da imagem do pão (fundido a o capítulo) serve para a apreensão do todo, facilitando o reconhecimento do forno e sua relação com o título de chamada ("Salta um capítulo fresquinho").
Diante de tal precisão comunicacional, facilitada por meio da construção de uma imagem clara e objetiva, mas que abre espaço às interpretações subjetivas dos leitores, reforço meu desejo de indicar esta peça como um exemplar digno de recordação para as presentes e futuras gerações.
Por enquanto me despeço, com o intuito de retornar para uma investigação ainda mais minuciosa sobre os elementos pertinentes ao Design da peça, como a utilização dos tipos e a composição da estrutura.

Saudações