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10.8.09

Legibilidade é coisa séria.

Já que os últimos assuntos têm sido a produção (mal-remunerada e escravista) de marcas, retomaremos aqui um belo exemplar do que a pressa e a falta de profissionalismo podem fazer com uma marca.

O design de uma marca (e nunca "logomarca"), que pode ser compreendida como a associação de um símbolo gráfico com um logotipo, deve estar comprometido com um a criação de um SIV, Sistema de Identidade Visual.

Por quê?

Porque não basta criar uma assinatura bonitinha para um produto, empresa ou serviço. Design sério se faz com planejamento, prevendo as aplicações e variações da marca em virtude da construção da imagem do produto, empresa ou serviço.

Além disso, a marca deve apresentar de uma forma singular um produto, empresa ou serviço para que seja capaz de distingui-lo de seus concorrentes e/ou similares. Para isso deve ser sintética e econômica, de maneira a realçar os elementos visuais e torná-los mais facilmente reconhecíveis. Nesse sentido, a redundância é extremamente desaconcelhada.

Bom, no exemplo abaixo (enviado por nossa fiel leitora, Kath, da Casa 101) temos um típico caso de redundância, graças a uma solução visual infeliz, pois ao tentar brincar com as letras, a leitura do nome da empresa se perdeu. Como não é possível entender o que está escrito, há uma espécie de legenda, que reforça o nome da empresa abaixo do sinal gráfico. À esta altura do campeonato, a objetividade da mensagem visual já foi para o espaço.

Quanto ao princípio da economia, é possível observar que foi negligenciado: temos diversas tipografias e cores diferentes dentro daquilo que constituiria a marca. Tudo isso compromete outro princípio básico de uma marca: a legibilidade. Legibilidade é a capacidade de leitura e reconhecimento das informações, podendo estar ligada tanto ao texto e sua tipografia, quanto à própria imagem e à capacidade de compreendê-la.

Se brincadeira é coisa séria, legibilidade e design também são.




22.6.09

Invisibilidade versus Onipresença

Comentando os assuntos recentes, encontrei uma imagem no blog do Abduzeedo, que descobri a partir de nossa leitora UEDA Grill (Luciana).
A imagem sintetiza bem alguns dos dilemas discutidos por designers gráficos e tipógrafos.

Inspirado por ela, fiquei com a ideia de uma tradução com um quê a mais. Então pensei "se utilizasse a Comic Sans, seria um show!"

Então, me apropriei da idéia e adaptei:




O trabalho original é de Craig Ward e pode ser encontrado aqui.

20.1.09

Para levantar.... a audiência?!


É cada vez mais impressionante notar como as empresas públicas tem se preocupado em traduzir em símbolos a verdadeira representação de sua imagem...

Depois da empresa carioca que está indo descarga abaixo, vemos agora a nova imagem da TV BRASIL, Empresa pública de tele-comunicações (esse hífen está certo?) que vai tentar de tudo para levantar a audiência... usando para isso a imagem de 3 famosos remédios azuis comumente utilizados para tratamento de impotência sexual.

Só faltava colocar o cromado né?

7.7.08

Dica: História do Design Gráfico no Flickr

A quem interessar :
Navegando na internet descobri um Álbum no Flickr que resgata cartazes e peças gráficas históricas.
Um interessante acervo visual, comentado (em inglês) pelo proprietário.
O endereço: http://www.flickr.com/photos/20745656@N00/sets/

Já está nos meus favoritos.

13.12.07

Curitiba 4: Uma surpresa muito agradável

Bom, depois de algum tempo, volto novamente a falar de Curitiba.
Dois são os motivos que me levam a fazê-lo:
1- Estou em dívida com o blog, afinal faz alguns dias que não contribuo com um post.
2- Estou em dívida com Curitiba, afinal já faz tempo que prometi colocar uma coisa boa sobre a cidade. (Até queixas apareceram!!)

O primeiro motivo me faz lembrar que em geral procuramos sempre coisas curiosas, diferentes, engraçadas (às vezes até dramáticas) para postar. Ser um DJ é sair na rua com o olho atento para qualquer coisa que renda um bom post e que dê caldo para uma boa discussão. Talvez por esse mesmo motivo que Curitiba tenha se destacado tanto aqui em nosso blog. Não pela cidade, não pelos designers (vi excelentes trabalhos e pesquisas por lá), muito menos por qualquer implicância com o "espírito curitibano", mas pelo fato de estar numa outra cidade vendo coisas novas, com o olhar muito mais aguçado pelo estranhamento. Por vezes o cotidiano ofusca coisas que para o olhar do estrangeiro acaba saltando aos olhos. Eu fui a Curitiba com os olhos bem abertos e uma câmera fotográfica na mão. Some-se a isso o agravante de estar respirando design a semana inteira por conta dos congressos (uma vez para o P&D e outra para o SBDI).

O segundo motivo não é bem um pedido de desculpas, mas uma oportunidade de mostrar os contrastes comuns nos grandes centros urbanos. Como Jusiticeiros, justiça seja feita: fica evidente que em todas as outras postagens não falei de trabalhos de designers profissionais, mas possivelmente sobrinhos, micreiros ou alguém que sabe "operar um programa gráfico". Contudo, andando pelo centro de Curitiba, me deparei com algo que me chamou muito a atenção: os cartazes das peças do teatro Guaíra.
Antes de seguir a narrativa, abro um parênteses para falar sobre cartazes de peças de teatro.
(Já repararam que apesar de ser uma excelente oportunidade para experimentação visual, muitos designers de cartazes têm o péssimo hábito de seguir os cânones hollywoodianos? É muito comum ver peças gráficas onde o que se vê é uma foto em close-up do artista famoso (global??) em primeiro plano, com o título da peça em letras garrafais. E pensar que o design gráfico se desenvolveu muito a partir dessa mídia. Lembrem-se de Toulouse Lautrec e Alphonse Mucha!!)

Agora, qual não foi minha surpresa ao notar que, das 4 peças em cartaz, os 4 cartazes não eram apenas interessantes individualmente, como também se harmonizaram lado a lado!!


Caso raríssimo e exemplar, não pude deixar passar. Com minha máquina na mão bati a foto imediatamente, pensando "O pessoal lá no Rio tem que ver isso!!".
Algumas críticas podem até ser feitas, mas o que me espanta é que entre mortos e feridos, os 4 se salvam!!
Ponto para Curitiba!!!

8.2.07

Até Tú Senhor?

Hoje de manhã, após um bom café e um banho, num momento de descanso antes de ir ao trabalho, deparei-me com esta escandalosa primeira Página do Jornal do Brasil. Prestem atenção meus caros visitantes deste amado blog, na principal manchete deste periódico que alarma a população com o fato de oito milhões de pessoas terem recebido propostas de compras de voto na última eleição.

Um crime deveras hediondo. Mas o interessante foi o diagramador que, posiciona logo ao lado da nota que vem da machete principal uma foto do Cristo Redentor que está concorrendo a uma das 7 novas maravilhas do mundo. Ora, mais uma vez a boa e velha gestalt trasnforma os 3 elementos (manchete, texto e foto) num único grupo na malha gráfica, e o leitor que passa desapercebido não nota que a Foto está se referindo ao outro fato. Com isso, chegamos a conclusão que Cristo (Sim! Cristo Redentor, esta belíssima estátua de 38 metros que faz parte da paisagem cotidiana da cidade maravilhosa) está comprando votos para ser uma das séte novas maravilhas do mundo.

Minhas congratulações ao conhecido Jornal que pela Segunda vez é assunto de um post no blog desta confraria.