12.1.07

Para começar, um belo prato de entrada

Caros amigos, descendentes diretos da linhagem de Walter Gropius, Peter Beherens & Cia.
Na qualidade de assinante do JB, deparei-me com essa inusitada peça que vos apresento abaixo.
O esmero comunicacional de tal peça me comoveu tanto a tal ponto que não pude deixar de compartilhá-la convosco, nobres irmãos de nossa ilustre confraria.
A peça que me refiro é o suplemento de TV do Jornal do Brasil, publicado aos 3 de dezembro de 2006 e encontra-se disponível em "fac-símile digital" (se é que isso existe!!) no endereço em http://ee.jornaldobrasil.com.br/reader/default.asp?ed=416

Observem com cuidado a peça, pois sua complexidade demanda uma análise que escape da superficialidade e adentre os obscuros terrenos não apenas do Design, como da Semiótica, análise comunicacional e até psicologia.
Embora a tarefa seja árdua, tentarei analisar alguns aspectos da peça, no entanto peço que me auxiliem e contribuam para a concretização de tão difícil empresa.

Primeiramente proponho uma análise comunicacional.
Questionem-se sobre qual é reportagem principal da revista? Qual a intenção a ser explorada? Qual o nível de dramaticidade que deve ser empregado? Como podemos ver, todas estas perguntas foram colocadas ao nosso capista que buscou o máximo de sua criatividade para exprimir com uma boa imagem todos os sentidos necessários para atingir objetiva e subjetivamente o nosso leitor.
Vejamos: o tema da reportagem é a maneira como Manoel Carlos, diga-se de passagem um brilhante dramaturgo, utiliza-se da estratégia de entregar os capítulos nas vésperas da filmagem para não apenas criar suspense, mas também se referenciar nas resposta do público à receptividade da novela.
Portanto, o nosso designer se viu na necessidade estabelecer uma mensagem visual que pudesse remeter AUTOMATICAMENTE à esta noção de frescor, de velocidade, de rapidez com a qual os capítulos chegam a mão dos atores. Obviamente, como todo bom designer, nosso artista deve ter se empenhado na criação de diversas alternativas, das mais a menos óbvias, mas o conceito que resolveu adotar não poderia se apresentar como melhor metáfora para esta situação do que... bem para aqueles que ainda não perceberam... trata-se de um pão quentinho saindo do forno.
Neste momento aconselho que retornem a imagem, e observem a clareza das informações, a maneira como o forno se faz presente na imagem e como é sagazmente utilizado, ao posicionar a marca da revista "Ponto TV" (que também merece uma análise a parte) sobre a lâmpada do forno.
O desfoque da imagem não apenas garante às imagens do primeiro plano a devida clareza, como também nos causa uma sensação de profundidade, que mesclado ao uso das cores nos cria a sensação de um ambiente profundo e quente, precisamente o que um forno é.
Agora o toque de midas fica por conta do tratamento conferido ao pão. Na dúvida de que sua metáfora não ficasse bem compreendida, nosso brilhante designer não hesitou e reforçou a mensagem de que os capítulos de Manoel Carlos são como pães, ao colocar o inédito efeito da sobreposição, mesclando texto e pão em uma singela, porém concisa, imagem. Sugiro que retornem a imagem novamente e observem como esta composição magistral entre pão e capítulo se apresenta. Vejam como ao utilizar o bom senso e o uso preciso das ferramentas de edição de imagem nosso designer conseguiu com uma imagem deixar claro tanto a imagem do pão, quanto a imagem do capítulo, para que não houvesse a menor dúvida acerca do conteúdo da imagem. A partir desta imagem, o título torna-se praticamente desnecessário, mas que por precaução não foi facilmente descartado por nosso cauteloso designer, apresentando também toda a maestria do redator ao propor "salta um capítulo fresquinho".
Para utilizar os termos do Design, vamos falar em Gestalt, ou seja, a compreensão do todo. Por este viés gostaria de chamar a atenção para maneira como a clareza da imagem do pão (fundido a o capítulo) serve para a apreensão do todo, facilitando o reconhecimento do forno e sua relação com o título de chamada ("Salta um capítulo fresquinho").
Diante de tal precisão comunicacional, facilitada por meio da construção de uma imagem clara e objetiva, mas que abre espaço às interpretações subjetivas dos leitores, reforço meu desejo de indicar esta peça como um exemplar digno de recordação para as presentes e futuras gerações.
Por enquanto me despeço, com o intuito de retornar para uma investigação ainda mais minuciosa sobre os elementos pertinentes ao Design da peça, como a utilização dos tipos e a composição da estrutura.

Saudações

2 comentários:

Daniel Girardet disse...

Realmente o que me impressionou foi que não consegui compreender a imagem logo que a vi. Além disso, o uso de um efeito luminoso no pão o descaracterizou, além de criar uma relação de união com os outros elementos iluminados da imagem. A tentativa de ousar encontrou, no meu entender, algumas falhas, inclusive na tentativa de reproduzir o ambiente onde se faz o pão, pois dificilmente alguém que faz o pão no forno de casa o coloca direto no forno sem uma fôrma ou tabuleiro. O uso da tipografia ficou empobrecido, pois não acompanha nenhum dos elementos de forma circular da imagem. O texto não está integrado à imagem. A tentiva de relacionar o objeto pão a um texto de capítulo de novela evidencia ou falta de perícia, ou excessiva cobrança que obrigou o profissional a tomar uma decisão qualquer.

Ei! Não consegui responder ao convite! Mandem outros! Tem que ser um para cada um!

Ricardo Artur disse...

hahahah
É exatamente disso que eu estava falando.
Quando peguei o exemplar da revista nas mãos me perguntei: "Que m... é esta???"